Diversidade Cultural. Cidadania. Cultura Popular. Semiótica e Interpretação.
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sexta-feira, 6 de maio de 2011
Eco Fashion - Moda sustentável
Produtos elaborados com algodão orgânico e materiais recicláveis. Há designers que se especializam nesse segmento de mercado e começam a ficar bastante conhecidos. A consciência e preocupação com a sustentabilidade é cada vez maior, e atrai sempre novos adeptos. Afinal, a preservação do meio ambiente é uma responsabilidade de todos nós.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Berlim Fashion Week 2011
metropole-da-moda-verde-e-do-design-sustentavel
Mercedes Benz Berlin Fashion Week
Recebi um convite para assistir aos desfiles da Semana de Moda de Berlim, no Umspannwerk Kreuzberg. Grande evento, se espalhava pela cidade, entre mostrar de moda e feiras de produtos e negócios. Visitei cada um deles para conhecer um pouco desse universo dos big-events da moda.
Aqui vão algumas fotos do evento, que teve a participação de Alisar, a modelo vencedora da versão mais recente do concurso nacional German Next Top Model.
Esse foi o texto que enviei ao Brasil comentando sobre o evento:
Berlim: metrópole da moda verde e do design sustentável
Berlim: metrópole da moda verde e do design sustentável
A brasileira Aline Sapiezinskas é Doutora em Antropologia pela Universidade de Brasília e atua como Consultora Independente para Políticas Públicas. Ela está na Alemanha participando da Berlim Fashion Week 2011, onde está acontecendo uma iniciativa muito bacana, a ECO-Fashion.
Aline nos enviou um texto contando como está sendo esta experiência. Confira:
Capital da Alemanha unificada, a cidade de Berlim é referida tradicionalmente entre os próprios alemães como sendo uma metrópole “pobre, mas sexy”. Tal qualificação, atribuída a Marlene Dietrich, figura como lugar comum no repertório popular e faz parte do imaginário que constitui a identidade ou o modo de ser do Berlinense.
O significado por trás de “pobre, mas sexy” pode ser entendido dentro do contexto alemão. Em comparação à Munique ou Frankfurt, Berlim pode ser considerada uma cidade pobre, com uma arquitetura mais austera e funcional. A história da Alemanha e a divisão de Berlim reforçaram essa imagem. Quando a cidade foi dividida pelo muro, a parte oriental dispunha de menos recursos para infraestrutura e foi marcada pela arquitetura socialista. O fato de as indústrias se concentrarem mais ao sul do país, porém, resultou num fluxo de recursos financeiros relativamente reduzido mesmo após a reunificação.
Mas, Berlim ferve na sua multiculturalidade. Com forte cultura alternativa, oferece atrações ricas e variadas e vida noturna movimentada. Não por acaso, atua na cena noturna berlinense o DJ que foi considerado o melhor do mundo no ano passado, por exemplo. Por isso tudo, o rotulo de sexy não é despropositado.
Entretanto, esse modo tradicional e popular de enxergar Berlim vem sendo desafiado por uma nova tendência que se impõe e ganha terreno entre os berlinenses: a moda verde.
A cidade de Berlim tornou-se o centro da moda ecológica e do design sustentável. Com todo o seu background histórico, Berlim se renova e reinventa a si mesma, posicionando-se no contexto europeu como o local da vanguarda verde.
Isso se evidencia com força total em grandes eventos, como a Berlim Fashion Week 2011, que acontece até 23 de janeiro. Patrocinada pela Mercedes-Benz, a mostra apresenta nomes conhecidos do design alemão. Mas o grande destaque é a ECO-Fashion, uma mostra que reúne as marcas de “etiqueta-verde”. Segundo os organizadores do evento, “essa mostra é uma prova de que a moda ecológica está na vanguarda em todos os sentidos”.
São apresentados em média 12 desfiles por dia, numa passarela ecológica e socialmente engajada, que é considerada a Vanguarda Verde. Os tecidos utilizados nas confecções dos trajes são, na grande maioria, de origem orgânica, vegetal, sem materiais sintéticos ou artificiais.
A ECO-Fashion não se restringe à alta costura, mas, implica na adoção de todo um estilo de vida, que inclui balinhas feitas sem gelatina animal, refrigerantes orgânicos, fabricados sem adição de açúcar ou corantes artificiais, linhas de cosméticos e objetos de decoração.
Um número crescente de consumidores berlinenses demonstra preferência por produtos alternativos, fabricados de forma ecológica e socialmente responsável.
A moda, já faz um bom tempo, não se refere apenas àquilo que se usa para cobrir o corpo. Implica em escolhas por um estilo de vida, uma forma de viver e de se colocar no mundo, que se orienta, antes de tudo, por um modo de pensar o mundo em que vivemos. Nós somos, em última analise, aquilo que pensamos e isso define todo o resto: o que vestimos e até mesmo o que comemos.
A consciência ecológica é a tônica do evento, que está ocorrendo paralelamente em diferentes locais de Berlim.
Mercedes Benz Berlin Fashion Week
Recebi um convite para assistir aos desfiles da Semana de Moda de Berlim, no Umspannwerk Kreuzberg. Grande evento, se espalhava pela cidade, entre mostrar de moda e feiras de produtos e negócios. Visitei cada um deles para conhecer um pouco desse universo dos big-events da moda.
Aqui vão algumas fotos do evento, que teve a participação de Alisar, a modelo vencedora da versão mais recente do concurso nacional German Next Top Model.
Esse foi o texto que enviei ao Brasil comentando sobre o evento:
Berlim: metrópole da moda verde e do design sustentável
Berlim: metrópole da moda verde e do design sustentável
A brasileira Aline Sapiezinskas é Doutora em Antropologia pela Universidade de Brasília e atua como Consultora Independente para Políticas Públicas. Ela está na Alemanha participando da Berlim Fashion Week 2011, onde está acontecendo uma iniciativa muito bacana, a ECO-Fashion.
Aline nos enviou um texto contando como está sendo esta experiência. Confira:
Capital da Alemanha unificada, a cidade de Berlim é referida tradicionalmente entre os próprios alemães como sendo uma metrópole “pobre, mas sexy”. Tal qualificação, atribuída a Marlene Dietrich, figura como lugar comum no repertório popular e faz parte do imaginário que constitui a identidade ou o modo de ser do Berlinense.
O significado por trás de “pobre, mas sexy” pode ser entendido dentro do contexto alemão. Em comparação à Munique ou Frankfurt, Berlim pode ser considerada uma cidade pobre, com uma arquitetura mais austera e funcional. A história da Alemanha e a divisão de Berlim reforçaram essa imagem. Quando a cidade foi dividida pelo muro, a parte oriental dispunha de menos recursos para infraestrutura e foi marcada pela arquitetura socialista. O fato de as indústrias se concentrarem mais ao sul do país, porém, resultou num fluxo de recursos financeiros relativamente reduzido mesmo após a reunificação.
Mas, Berlim ferve na sua multiculturalidade. Com forte cultura alternativa, oferece atrações ricas e variadas e vida noturna movimentada. Não por acaso, atua na cena noturna berlinense o DJ que foi considerado o melhor do mundo no ano passado, por exemplo. Por isso tudo, o rotulo de sexy não é despropositado.
Entretanto, esse modo tradicional e popular de enxergar Berlim vem sendo desafiado por uma nova tendência que se impõe e ganha terreno entre os berlinenses: a moda verde.
A cidade de Berlim tornou-se o centro da moda ecológica e do design sustentável. Com todo o seu background histórico, Berlim se renova e reinventa a si mesma, posicionando-se no contexto europeu como o local da vanguarda verde.
Isso se evidencia com força total em grandes eventos, como a Berlim Fashion Week 2011, que acontece até 23 de janeiro. Patrocinada pela Mercedes-Benz, a mostra apresenta nomes conhecidos do design alemão. Mas o grande destaque é a ECO-Fashion, uma mostra que reúne as marcas de “etiqueta-verde”. Segundo os organizadores do evento, “essa mostra é uma prova de que a moda ecológica está na vanguarda em todos os sentidos”.
São apresentados em média 12 desfiles por dia, numa passarela ecológica e socialmente engajada, que é considerada a Vanguarda Verde. Os tecidos utilizados nas confecções dos trajes são, na grande maioria, de origem orgânica, vegetal, sem materiais sintéticos ou artificiais.
A ECO-Fashion não se restringe à alta costura, mas, implica na adoção de todo um estilo de vida, que inclui balinhas feitas sem gelatina animal, refrigerantes orgânicos, fabricados sem adição de açúcar ou corantes artificiais, linhas de cosméticos e objetos de decoração.
Um número crescente de consumidores berlinenses demonstra preferência por produtos alternativos, fabricados de forma ecológica e socialmente responsável.
A moda, já faz um bom tempo, não se refere apenas àquilo que se usa para cobrir o corpo. Implica em escolhas por um estilo de vida, uma forma de viver e de se colocar no mundo, que se orienta, antes de tudo, por um modo de pensar o mundo em que vivemos. Nós somos, em última analise, aquilo que pensamos e isso define todo o resto: o que vestimos e até mesmo o que comemos.
A consciência ecológica é a tônica do evento, que está ocorrendo paralelamente em diferentes locais de Berlim.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Shopping, um passeio pela teoria da moda.
Planejando uma viagem de férias encontrei roteiros interessantes pela Europa que incluem visitas a centros de compras em nove grandes cidades européias. Tais locais de compras se localizam a poucos kilômetros de metrópoles e oferecem grande infra-estrutura para lojas de marcas famosas, as griffes. O mais interessante é que se trata de outlets, ou seja, lojas que oferecem descontos para vender mercadorias de coleções passadas de marcas famosas.
Para completar minha surpresa, eles se denominam "Chic Outlet", pode?!!!
confira!
Tudo isso me parece um tanto contraditório. As palavras "grife" e "desconto" não pertencem ao mesmo campo semântico. Tradicionalmente as grifes oferecem mercadorias exclusivas para clientes selecionados a preços altíssimos. Os descontos estão normalmente nas grandes lojas, associados a produção industrial em série e ao anonimato do comprador citadino. Essa nova modalidade de produtos supostamente exclusivos, carregando assinatura de designers famosos e sendo comercializada a preços reduzidos encontra sua lógica somente se mergulharmos brevemente na teoria social da moda.
O que você veste revela quem você é.
Georg Simmel, numa série de ensaios publicados postumamente como “On Individuality and Social Forms”[1], lançou no começo do século passado os fundamentos teóricos de uma discussão sobre a moda, o desejo pelo objeto, e a construção social do valor, que ainda ecoa e provoca grande reflexão. Numa teoria que ficou conhecida como “imitação em cascata” (Trickle Down), o autor chama a atenção para a dialética entre diferenciação e imitação – que ocorre entre grupos na sociedade no que se refere à moda – como constitutiva da própria natureza do caráter transitório da moda. A moda seria sempre uma criação da elite, daqueles que estariam ocupando a posição mais elevada da pirâmide social, e seguiria um movimento descendente na escala social, que se daria pela imitação dos que se encontram acima por aqueles que estão abaixo. Conforme Simmel esclarece: “The very character of fashion demands that it should be exercised at one time only by a portion of the given group, the great majority being merely on the road to adopting it.” Ou, em outras palavras, “As fashion spreads, it gradually goes to its doom”. (Simmel, 1971[1904]:302)
Desejo, imitação e morte.
Para além do aspecto de apropriação de elementos ou traços culturais entre camadas distintas da sociedade, independentemente do fato de estarem subindo ou descendo, o aspecto que considero importante destacar na teoria de Simmel, que justifica a pertinência e atualidade da sua teoria, repousa no caráter efêmero do fenômeno, caracterizado como de rápida transição e constante busca por algo novo.Ao afirmar que “quando uma moda se espalha ela gradualmente caminha para seu fim”, Simmel estabelece uma relação entre desejo, imitação e morte que denota a transitoriedade das tendências da moda.
Simmel enfatiza o caráter de transitoriedade do mundo da moda, que se aplica a forma como a experimentamos hoje. O autor pode ser criticado por tratar da moda a partir de uma visão de sociedade que pressupõe a existência de classes sociais claramente demarcadas, o que dificultaria a aplicação da teoria ao mundo de hoje, caracterizado por fronteiras culturais esfumaçadas, ou poderia reduzir o interesse por sua teoria. Entretanto, podemos argumentar em seu favor que, cada vez que uma nova moda é lançada, são criados produtos para atender a cada segmento do mercado, como se fosse uma grande celebração da novidade que estaria acessível a todos os bolsos.
O que você detesta revela ainda mais sobre você!
Marshall Sahlins (1976) e Mary Douglas (1996) consideram as escolhas de vestuário como reveladoras das categorias de pensamento de uma sociedade ou grupo social. Ambas as teorias, assim como a de Bourdieu (1979, 2002), analisam a moda como um sistema fechado, buscando o que esse sistema tem a dizer sobre a sociedade.Tanto Douglas quanto Bourdieu, explicitamente ou não, resgatam parte da teoria da “imitação em cascata” de Simmel e descrevem esquemas de participação dos atores sociais no consumo dos objetos. Tais teorias abrem todo um campo de pesquisas, ainda pouco explorado, para o estudo da moda na sua relação com o consumo e as estratégias dos atores em sua inserção social.
Mary Douglas salienta que os juízos negativos a respeito de roupas ou objetos são mais sutis e muito mais reveladores da posição e identidade social de um indivíduo. Comentários como:
"Nem morta eu usaria essa roupa!" são grandes marcadores de definição identitária por oposição.
Como se pode observar, as teorias sobre a moda tem muito a dizer sobre a construção das identidades sociais, e sobre a afirmação do lugar específico ocupado por um indivíduo dentro da sociedade, por meio daquilo que ele escolhe, compra, veste e especialmente daquilo que rejeita vestir.
[1] A obra “On Individuality and Social Forms”, editada e publicada em 1971 por Donald Levine, reúne ensaios e conferências que Simmel proferiu nas primeiras décadas do século passado.
Para completar minha surpresa, eles se denominam "Chic Outlet", pode?!!!
confira!
Tudo isso me parece um tanto contraditório. As palavras "grife" e "desconto" não pertencem ao mesmo campo semântico. Tradicionalmente as grifes oferecem mercadorias exclusivas para clientes selecionados a preços altíssimos. Os descontos estão normalmente nas grandes lojas, associados a produção industrial em série e ao anonimato do comprador citadino. Essa nova modalidade de produtos supostamente exclusivos, carregando assinatura de designers famosos e sendo comercializada a preços reduzidos encontra sua lógica somente se mergulharmos brevemente na teoria social da moda.
O que você veste revela quem você é.
Georg Simmel, numa série de ensaios publicados postumamente como “On Individuality and Social Forms”[1], lançou no começo do século passado os fundamentos teóricos de uma discussão sobre a moda, o desejo pelo objeto, e a construção social do valor, que ainda ecoa e provoca grande reflexão. Numa teoria que ficou conhecida como “imitação em cascata” (Trickle Down), o autor chama a atenção para a dialética entre diferenciação e imitação – que ocorre entre grupos na sociedade no que se refere à moda – como constitutiva da própria natureza do caráter transitório da moda. A moda seria sempre uma criação da elite, daqueles que estariam ocupando a posição mais elevada da pirâmide social, e seguiria um movimento descendente na escala social, que se daria pela imitação dos que se encontram acima por aqueles que estão abaixo. Conforme Simmel esclarece: “The very character of fashion demands that it should be exercised at one time only by a portion of the given group, the great majority being merely on the road to adopting it.” Ou, em outras palavras, “As fashion spreads, it gradually goes to its doom”. (Simmel, 1971[1904]:302)
Desejo, imitação e morte.
Para além do aspecto de apropriação de elementos ou traços culturais entre camadas distintas da sociedade, independentemente do fato de estarem subindo ou descendo, o aspecto que considero importante destacar na teoria de Simmel, que justifica a pertinência e atualidade da sua teoria, repousa no caráter efêmero do fenômeno, caracterizado como de rápida transição e constante busca por algo novo.Ao afirmar que “quando uma moda se espalha ela gradualmente caminha para seu fim”, Simmel estabelece uma relação entre desejo, imitação e morte que denota a transitoriedade das tendências da moda.
Simmel enfatiza o caráter de transitoriedade do mundo da moda, que se aplica a forma como a experimentamos hoje. O autor pode ser criticado por tratar da moda a partir de uma visão de sociedade que pressupõe a existência de classes sociais claramente demarcadas, o que dificultaria a aplicação da teoria ao mundo de hoje, caracterizado por fronteiras culturais esfumaçadas, ou poderia reduzir o interesse por sua teoria. Entretanto, podemos argumentar em seu favor que, cada vez que uma nova moda é lançada, são criados produtos para atender a cada segmento do mercado, como se fosse uma grande celebração da novidade que estaria acessível a todos os bolsos.
O que você detesta revela ainda mais sobre você!
Marshall Sahlins (1976) e Mary Douglas (1996) consideram as escolhas de vestuário como reveladoras das categorias de pensamento de uma sociedade ou grupo social. Ambas as teorias, assim como a de Bourdieu (1979, 2002), analisam a moda como um sistema fechado, buscando o que esse sistema tem a dizer sobre a sociedade.Tanto Douglas quanto Bourdieu, explicitamente ou não, resgatam parte da teoria da “imitação em cascata” de Simmel e descrevem esquemas de participação dos atores sociais no consumo dos objetos. Tais teorias abrem todo um campo de pesquisas, ainda pouco explorado, para o estudo da moda na sua relação com o consumo e as estratégias dos atores em sua inserção social.
Mary Douglas salienta que os juízos negativos a respeito de roupas ou objetos são mais sutis e muito mais reveladores da posição e identidade social de um indivíduo. Comentários como:
"Nem morta eu usaria essa roupa!" são grandes marcadores de definição identitária por oposição.
Como se pode observar, as teorias sobre a moda tem muito a dizer sobre a construção das identidades sociais, e sobre a afirmação do lugar específico ocupado por um indivíduo dentro da sociedade, por meio daquilo que ele escolhe, compra, veste e especialmente daquilo que rejeita vestir.
[1] A obra “On Individuality and Social Forms”, editada e publicada em 1971 por Donald Levine, reúne ensaios e conferências que Simmel proferiu nas primeiras décadas do século passado.
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