Diversidade Cultural. Cidadania. Cultura Popular. Semiótica e Interpretação.
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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Diversidade cultural e questões de gênero


As questões de gênero emergem como tema de disputas no campo discursivo. Os processos de empoderamento da mulher e a conquista de novos espaços na sociedade contemporânea reclamam um renovado esforço reflexivo acerca dos papéis sociais reproduzidos e reiterados nas relações de poder e dinâmicas culturais, em face de conquistas políticas e seus desdobramentos internacionais. 

Entre as questões suscitadas sobre o tema, no âmbito das pesquisas em relações internacionais, poderíamos citar: Quais as características do regime internacional de proteção aos direitos humanos, em especial no que diz respeito à proteção dos direitos das mulheres? Qual sua efetividade e eficácia em países de desenvolvimento médio, como o Brasil, e em países com cultura considerada opressora em relação aos direitos das mulheres? Que representações culturais se impõem no debate sobre os papéis sociais da mulher, em contextos culturais específicos, como por exemplo no contexto Latino-americano? Como os direitos das mulheres são situados em relação a outros direitos humanos e em relação a temas como família, cidadania e participação política? Como normas de direito internacional relacionadas aos direitos da mulher tem sido implementadas e internalizadas no Brasil e na América Latina? Que discursos orientam essas práticas? A emergência das teorias feministas de relações internacionais. Como se relacionam direitos humanos e direitos culturais? Essas e outras questões serão discutidas com base em leituras específicas sobre o tema de acordo com o debate contemporâneo.

Para tratar destes e outros temas da diplomacia e diversidade cultural, encontros todas a quartas.

quinta-feira, 31 de março de 2016

A identidade brasiliense

Brasília ainda é uma cidade nova, com imagem de cidade moderna, que vem se ampliando e conquistando novos espaços no seu entorno. Tudo isso alimenta as representações de uma identidade brasiliense socialmente compartilhada, que se estende desde a construção até a concretização efetiva e acabada do sonho de JK, e que continua a desenvolver-se e a crescer ao longo dos anos. 
"Pode-se supor uma certa liberdade expressiva na exposição dos modelos burocráticos, que seriam eles também algo ainda em processo de construção, algo inacabados. Essa faceta da burocracia sempre existente, mas nem sempre assumida ou demonstrada, mostra-se particularmente presente nessa cidade, onde as pessoas já possuem uma certa familiaridade com a imagem do canteiro de obras, com novos começos, com os processos de construção.

Pode-se afirmar que o canteiro de obras é parte do imaginário simbólico da cidade de Brasília, como mito de origem, disponível no repertório simbólico dos habitantes, pronto para ser acessado e reatualizado conforme a prática ou o ritual torne necessário. Tal imagem continua figurando no imaginário e pode operar como justificativa para idéias de construção e para familiaridade com o trabalho em processo, que se reinventa e reatualiza no uso, conforme surgem as necessidades práticas." (Sapiezinskas, 2008/2016)





quinta-feira, 14 de abril de 2011

Andando pelo Moabit

O Moabit é parte de Berlin.









Andando por essas ruas você pode escutar várias outras línguas além do alemão. Você pode perceber que o antigo bairro abriga moradores de origens étnicas e culturais diversas. Esse é um espaço de integração social localizado numa região bastante central da cidade. O video abaixo trata de um projeto de integração realizado por mulheres do Moabit. "De mãe para mãe" é o título do vídeo e descreve sua abordagem.



sexta-feira, 1 de abril de 2011

Estrangeiros e conectados - processos de interação social

As antenas parabólicas penduradas nas janelas em Berlin estão associadas aos estrangeiros. Elas fazem parte da luta e dos dilemas da integração sem assimilação cultural. São objeto e emblema da resistência cultural de grupos que aqui vivem há gerações, e que aqui encontraram refúgio contra as mazelas da guerra e destruição de sua terra de origem.




Associadas aos Arabes e Turcos, as antenas parabólicas são um elo de ligação entre essas pessoas que tentam refazer suas vidas e reconstruir identidades na Alemanha, e seu local de origem mais remoto, onde deixaram parentes e familiares, e para onde são re-encaminhados diariamente, a cada vez que são apontados como ESTRANGEIROS.

Na medida em que se conhece um pouco mais da dinâmica social nessa cidade, percebe-se que essa categoria "estrangeiro" é um das mais complexas que se pode encontrar. Complexa especialmente porque não se trata dos inúmeros turistas que visitam a cidade e tampouco de habitantes temporários, recém chegados ou de passagem. Complexa porque na maioria das vezes inclui pessoas que nasceram aqui, que não conhecem outra pátria e outro modo de vida. Ainda assim, são remetidos a buscar identificação em outros lugares, entre outras pessoas.  A antena parabólica desempenha um papel de ligação com uma identidade ancestral que eles buscam vivenciar, já que a identificação como alemão lhes é negada numa base diária. Daí o papel central da televisão, via antena parabólica, na construção da identidade subjetiva.

Nos processos de interação social a identidade do sujeito pode ser reificada ou mesmo reinventada, na busca pela construção de sentido e no desejo de dar coerência ao vivido. Em muitos casos, o sentido construído inclui também as imagens obtidas na televisão estrangeira, ou seria na televisão nacional dos estrangeiros? Quem souber, responda!



sexta-feira, 18 de março de 2011

Orissa revela grande riqueza cultural da India

Orissa é uma região da India que possui inúmeras belezas naturais. Além disso, o estado é conhecido pelos tradicionais trabalhos em artesanato feito á mão. As peças produzidas naquele local tem características próprias e um modo de fazer que não é encontrado em outros locais da India.







  Em Orissa também pode ser encontrado um grande número de monumentos religiosos tombados como Patrimônio Histórico Cultural. São templos Hindus, Janistas e Budistas, em sua maioria.



Como sugestão de leitura antropológica sobre a India recomendo:

CHATERJEE, Partha. "Our Modernity". SEPHIS-CODESRIA publication #1, 1997.

  "Our Modernity"

DAS, Veena. Critical Events. An Anthropological Perspective on Contemporary India. Delhi: Oxford, 1995.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Margaret Mead: Hall of the Pacific Peoples





Margaret Mead organizou essa sala, no Museu de Ciências Naturais de Nova Iorque, dividindo-a em 6 seções que refletiam a sua visão das principais regiões culturais na vasta area do Pacífico. As seções incluem os Povos da Australia, Indonesia, das Filipinas, Melanésia, Micronesia e Polinésia. Esse ambiente geograficamente e ecologicamente diverso contribuiu para a diversidade cultural dos Povos do Pacífico. 






Suas obras mais conhecidas são "Adolescência, sexo e cultura em Samoa" (1928) e "Sexo e temperamento em três sociedades primitivas" (1935). A antropóloga lança uma reflexão sobre a relação entre sexo e temperamento, ao formular perguntas como: em que grau o temperamento está biologicamente determinado pelo sexo?. Eram os homens inevitavelmente agressivos? Eram as mulheres inevitavelmente caseiras? Ela esperava ver se havia factores culturais ou sociais que afectassem o temperamento. 

As três culturas com que conviveu na Nova Guiné permitiram encontrar cada uma das variáveis que associamos como masculinas ou femininas em uma configuração diferente daquela encontrada na sociedade norte-americana. Mesmo para a antropóloga esse fato foi surpreendente e conduz ao questionamento das categorias que empregamos na classificação de gênero, ou seja, aquilo que entendemos como possuindo característica masculinas ou femininas. 



quarta-feira, 24 de março de 2010

De Antropólogo, todo mundo tem um pouco!

Conferindo o artigo publicado no Clic RBS:

"De Antropólogo, todo mundo tem um pouco"

Aline Sapiezinskas


Não é de hoje que a diversidade dos costumes atrai e fascina. Cada vez mais as pessoas parecem dispostas a pegar a mala, largar tudo e viajar o mundo. Conhecer terras distantes, habitadas por povos de costumes estranhos, falando línguas complicadas. Um gosto pela aventura, que existe em cada um de nós, alimenta o interesse pelo exótico. Com a globalização e a internet, mesmo sem sair de casa, recebemos a influência de partes distantes do globo.

O contato com um modo de vida diferente do nosso provoca de início curiosidade e em seguida um certo estranhamento. Aquela sensação de que não existe uma explicação para as coisas. Elas são como são. O mais interessante, porém, é que a observação e o reconhecimento da diferença cultural tende a provocar um reflexo em nós, que nos leva a olhar para nós mesmos de um modo diferente. E nos permite encarar os valores da nossa própria sociedade com maior clareza.

Pela observação da diversidade das culturas e pelo estranhamento das diferenças de comportamento e modo de vida dos outros, acabamos nos dando conta de quem somos nós de fato. Mais do que isso, acabamos percebendo que elementos, concretos, contribuem para nos transformar naquilo que somos. Pode-se dizer que precisamos mesmo desse contraste, para que possamos nos descobrir por inteiro.

A diversidade hoje em dia não esta tão distante de nós. Não precisamos de novelas ou de longas viagens para nos depararmos com a diferença. Ela está no nosso dia-a-dia e se revela nas escolhas que fazemos, na roupa que vestimos, na música que ouvimos, nos locais que frequentamos. Nas cidades cohabitam muitas tribos. Basta olhar ao redor.

Morando na Alemanha, observo, diariamente e não sem algum espanto, quem são os alemães. Estranho comerem salsichas com as mãos, na rua mesmo. Surpreendo-me com os cabelos multicoloridos e as roupas unissex. Me chama a atenção que os apartamentos quase não tem banheiros e que todo mundo tira o sapato antes de entrar em casa. Vejo com curiosidade como amam andar de bicicleta e tomar sol, unindo as duas coisas ao andar de bicicleta sob o sol até desmaiar, não raro indo parar no hospital. Me impressiona também como tudo é organizado e explicadinho, o que inspira até certa simpatia. Mas outras pessoas estranhariam outras coisas. Um indiano não se impressionaria com a falta de banheiros nas casas ou o sapato do lado de fora. Um caribenho não deve estranhar o amor ao sol. Uma feminista francesa não achará nada de mais nas roupas unissex. Tudo parece depender, afinal, do observador.

Nesse processo todo, independentemente dos fatores que se resolva observar, o que tem relevância e significado fundamental é o fato básico de que dentro da diversidade existe a diferença, e que precisamos lidar com ela. Ter consciência de quem somos nós, e de que as diferenças existem é o primeiro passo no sentido da tolerância e do diálogo. Precisamos reconhecer quem somos nós, nossa identidade, com suas forças e fraquezas, tanto como indivíduos quanto como grupo dentro da sociedade, para então partirmos para um diálogo aberto que nos permita conhecer o outro, aquele que é diferente de nós, e respeitá-lo. Conviver com a diversidade cultural é aprender a respeitar as diferenças.




Clique aqui!

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ou

http://www.clicrbs.com.br/especial/br/portal-social/conteudo,0,4379,De-Antropologo-todo-mundo-tem-um-pouco.html

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Parcerias

Parcerias Internacionais

A noção de "parceria" permeia o campo social. Vai desde acordos para a cooperação entre países, passando por intercâmbios acadêmicos, inclui até mesmo as antigas formas de assistência conhecidas como "ajuda", aplicadas a regiões carentes. O termo hoje possui significados múltiplos, que variam de acordo com o contexto em que é empregado.





Antropologia Brasil e India - parcerias no eixo Sul-Sul

Incentivados por acordos governamentais, pesquisadores acadêmicos do chamado "eixo Sul-Sul" tem realizado intenso intercâmbio com o objetivo de promover uma aproximação entre os países considerados fora do eixo hegemônico, que seria o Norte. Entre os países do eixo Sul destacam-se o Brasil, a India e a Africa do Sul.
Essa tentativa de aproximação de interesses de pesquisa e debate sobre os problemas sociais repousa sobre o pressuposto de que o motivo que os une, serem excluídos do eixo norte, caracterizado por europa e estados unidos, os tornaria mais próximos. Além disso, a condição de ex-colonias os colocariam diante de questões socio-econômicas semelhantes.
O tema suscita grandes controvérsias, uma vez que as diferenças entre as realizades sociais, políticas, econômicas de tais países também não são poucas ou diminutas. Uma tentativa de reflexão sobre essas questões foi lançada no artigo abaixo, escrito logo após a realização de uma pesquisa de campo sobre a Políticas de Preservação do Patrimônio na India. Na ocasião foi possível perceber grande diferença de posturas no encaminhamento das questão pelos governos brasileiro e indiano, o que nos coloca diante de muitas perguntas mais.

artigo sobre o Eixo Sul-Sul


As parcerias não se restringem ao âmbito governamental. O termo faz parte do discurso amplamente empregado na sociedade civil organizada ou que esta em busca de se organizar.
Moeda de troca, a "parceria" esta presente na lei que orienta a criação das Organizações da Sociedade Civil, embora sem muito detalhamento, deixando margem para a criatividade e a iniciativa. O que é mais relevante em tudo isso: a "parceria" está na boca do povo!
O termo faz parte do vocabulário cotidiano dos beneficiários de projetos sociais nas comunidades. Embora ninguém saiba muito bem como definir o significado de uma "parceria", todos sabem exatamente o que ela significa, e seus usos.


Parcerias Institucionais
Contando com a parceria do Sebrae, as artesãs de Brasília realizaram o projeto "Histórias de Vida", em que cada uma delas bordava uma narrativa da sua história, desde o local onde nasceu, até o momento presente, em Brasília, onde se reúnem em grupos para fazer bordados.


Antonieta Contini mostra como ficou o resultado desse trabalho em uma das colchas bordadas pelas artesãs. Na foto é possível observar o trajeto das estradas que corresponde ao período de migração dentro do Brasil, e a diferente vegetação que caracteriza cada região brasileira.
Há referências também a uma oposição entre a vida no campo e a vida na cidade, que as artesãs ajudaram de certa forma a construir, na medida em que passaram a viver em Brasília e ali constroem a sua história.
Tese sobre o Artesanato em Brasília

Brasília

Brasília


“Deste planalto central,
desta solidão que em breve se transformará em cérebro
das altas decisões nacionais,
lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país
e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável
e uma confiança sem limites no seu grande destino".

(Juscelino Kubitschek, 02 de outubro de 1956,
conforme se encontra num monumento na Praça dos Três Poderes)





Numa tarde de quarta-feira, eu sigo de carro pela Via Estrutural, passando o posto de gasolina eu dobro à direita e subo...seguindo a indicação que me foi dada. Passando o posto da Polícia Rodoviária eu entro à direita novamente e já cheguei na Samambaia. Depois pra voltar é só fazer a mesma coisa, sendo que tudo ao contrário...lá pelas tantas me deparo com uma rotatória, com três entradas possíveis. E agora? Para que lado fica Brasília? Eu estaciono o carro numa madeireira para perguntar aos homens que estavam ali pela frente: “pra que lado fica Brasília?” Eles me olham intrigados: “Aqui é Brasília.”


O mais curioso para mim foi que, embora estivéssemos nos referindo a coisas diferentes, nenhum de nós estava errado, pois tanto o Plano Piloto quanto à região do seu entorno acabam sendo chamados de Brasília.
Para tentar explicar resumidamente as diferentes acepções do termo encontradas, Brasília pode ser definida como a Região Administrativa número I, que corresponderia ao Plano Piloto, ou seja, Asa Sul, Asa Norte e região Central. Pode também ser entendida como a soma da área urbana das 28 regiões administrativas. Considerando que essas duas definições, além de uma série de outras, são amplamente empregadas para designar a cidade, podemos dizer que o Plano Piloto seria a definição mais estrita do termo, ao mesmo tempo em que o sentido amplo do termo “Brasília” significaria incluir todas as 28 regiões administrativas.
É esse sentido mais amplo do termo que adoto quando me refiro às “artesãs de Brasília”, pois é assim que aparece em campo. Muitos dos relatos das mulheres sobre quando vieram morar em Brasília, por exemplo, empregam esse sentido amplo do termo. Quando uma informante me conta “Sempre morei em Brasília. Nasci na Ceilândia e depois que casei mudei pra cá, pra Samambaia”. Quando aparecem na televisão e nas revistas, igualmente, as artesãs de Brasília se referem ao lugar onde moram como Brasília, e as reportagens a seu respeito tratam do artesanato produzido na capital, em Brasília.
Diante disso, não há muito mais que argumentar.
Para ler mais sobre Brasília e suas regiões administrativas, e sobre a confusão entre os termos que as designam, ver a Tese
"De Bonecas, Flores e Bordados: investigações antropológicas no campo do artesanato em Brasília", Brasília, UNB, 2008, pág. 24.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Ruth Cardoso deixa sua marca no campo do Artesanato Brasileiro




Faleceu na noite de ontem a Antropóloga e ex-primeira-dama Ruth Cardoso.

Acadêmica conceituada, professora da Universidade de São Paulo, teve inclusive atuação internacional, lecionando na Europa e nos Estados Unidos. Nascida em 1930, em 19 de setembro, tinha 77 anos.

Uma das marcas de sua trajetória foi a atuação política, na preocupacão social com as questões da juventude e da pobreza. Sua ação no campo social foi no sentido de operacionalizar políticas públicas visando a transformação nos meios de vida da população mais necessitada. Possuia uma visão não-assistencialista dos programas sociais, conforme ficou evidenciado durante o período em que ela atuou como primeira-dama.

Ela acreditava que era preciso capacitar os indivíduos para que se tornassem agentes com competência de promover seu próprio desenvolvimento, tornando-os capazes de lutar pelos seu próprio sustento e pela melhoria das condições de vida.

O Programa do Artesanato Solidário, com o qual tive algum contato durante a realizacão da pesquisa sobre o Artesanato de Brasília, foi pensado como uma resposta ao problema da pobreza e da seca, recorrente e sem soluções definitivas na região do nordeste brasileiro.

Começou como um projeto de capacitação e geração de renda.
A situação de pobreza que convive com um rico patrimônio cultural ligado a fazeres artesanais tradicionais levou a elaboração de uma política de valorização dessa produção artesanal de caráter singular.

Assumido o desafio de promover o desenvolvimento de condições de produção artesanal que respondessem a um ritmo viável para a sua integração em redes produtivas e comerciais em escala nacional, surgia o Comunidade Solidária.
Um dos propósitos principais, ao lado da geração de renda, era a preservação dos modos de vida das comunidades locais e a utilização sustentável dos recursos e da matéria-prima disponíveis.

Enfim, Ruth Cardoso foi responsável por lançar as bases do Programa do Artesanato tal como ele é conhecido hoje, pois embora a orientação política atual, do Governo Lula, não seja a mesma de FHC, antes uma oposição aquela, o programa de Ruth Cardoso estabeleceu as diretrizes que foram incorporadas e continuam atuantes no campo do artesanato brasileiro.

por Aline Sapiezinskas.

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Repercussões na Mídia

Intelectuais e amigos próximos da ex-primeira dama Ruth Cardoso lamentaram nesta quarta-feira (25) a morte da antropóloga, que faleceu nesta terça-feira (24) em casa, no bairro Higienópolis, em São Paulo (SP). Para eles, dona Ruth - como era carinhosamente chamada - era um exemplo de mulher que soube articular a vida acadêmica com a vida pública.

O antropólogo Luís Roberto Cardoso de Oliveira, 54, presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e sobrinho de Ruth Cardoso, disse que o Brasil perdeu uma grande intelectual.

“Para nós [da ABA] é uma enorme perda. A Ruth teve um papel muito importante na antropologia brasileira - primeiro como professora da Universidade de São Paulo e depois como mulher pública. Ela sempre articulou com perfeição a sua atividade acadêmica com o engajamento político não-partidário. A trajetória dela tem essa marca muito forte, com posicionamentos políticos firmes e moderados ao mesmo tempo”, disse.

O cientista político Bolívar Lamounier, 65, amigo pessoal da ex-primeira dama, também elogiou seu posicionamento como professora e mulher pública. Ele contou que conheceu Ruth Cardoso na década de 70, quando começou a trabalhar com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


Lula suspende agenda à tarde para ir ao velório de Ruth Cardoso em São Paulo

“Particularmente, acho que ela desempenhou brilhantemente todos os papéis que ocupou - como professora, como pessoa pública ou como pessoa privada. Ela nunca precisou fazer nada de aparências, era uma pessoa exemplar, com uma autenticidade muito grande. Ruth nunca ficou deslumbrada e nunca tentou ser quem não era por causa de seu papel público. Ela soube fundir os papéis muito bem, sem nenhuma dificuldade. Era um modelo de pessoa, de uma grandeza extraordinária”, declarou.

Amiga pessoal e também professora da USP, a antropóloga Eunice Durham, 76, ficou emocionada ao falar da morte de Ruth Cardoso.

“A Ruth é unanimidade nacional. Você não vai encontrar ninguém que tenha nada para falar contra ela, nem mesmo os adversários políticos. Ela era uma pessoa admirável e fará muita falta. Sempre tratou a vida pública com lisura e respeito, pois tinha uma visão política extremamente lúcida”, disse a professora, que conheceu a ex-primeira dama em 1956, quando passaram a dividir a cadeira de antropologia da USP.

“Dividi com ela mais de 50 anos de amizade e colaboração intelectual. Em todo esse tempo, ela nunca me desapontou, ela é um verdadeiro exemplo.”

Para o antropólogo Roberto Augusto DaMatta, 72, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Ruth Cardoso revolucionou o papel de primeira-dama no país.

“Ela modernizou a ação social, mudou a forma como a ação social era vista pela sociedade. Ela fez uma revolução sem a gente perceber”, disse DaMatta, que conheceu a ex-primeira dama na década de 50, quando decidiu estudar antropologia.

“A dona Ruth teve um papel muito importante na minha formação, ela foi uma referência para o meu panorama. Nós tivemos uma convivência intensa durante muito tempo e, mesmo depois de ela se tornar uma pessoa pública, ela nunca deixou de me atender. Sempre manteve a mesma delicadeza e educação. Para mim, fica a perda de uma amiga que sempre me incentivou. O Brasil perdeu uma pessoa muito boa.”

Gilberto Velho, 63, professor titular de antropologia do Museu Nacional do Rio de Janeiro também lamentou a morte da ex-primeira dama, orientadora da tese de doutorado de Velho, em 1975.

“Eu a conheço há mais de 30 anos. Dona Ruth desenvolveu a carreira com muita competência, sempre preocupada com a política social. Ela manteve uma postura ética e uma civilidade exemplares. Era uma pessoa impecável. Portanto, é uma grande perda”.

(extraído do site Globo.com, nesta data)

sexta-feira, 28 de março de 2008

O Fim da Arte nas Sociedades Complexas




Em todos os momentos ao longo de sua história, o homem produz arte, seja como meio de expressão, seja como uma tentativa de dar sentido ao mundo. Ainda que seja apenas com o objetivo de lidar com conflitos pessoais, o homem costuma encontrar na arte uma forma de experiência, de vivenciar o cotidiano.
Podemos nos perguntar se, à medida em que avança o capitalismo e surgem tecnologias cada vez mais sofisticadas para a solução dos problemas do cotidiano, estaríamos vivendo um momento histórico em que todas as formas de representação já se encontrariam esgotadas e simplesmente já não há mais função a ser desempenhada pela arte? Estaríamos vivenciando uma mudança tão profunda nas relações econômicas e sociais que disso resultaria ausência de espaço destinado à arte?
O lugar da arte nas sociedades complexas de capitalismo tardio é um tema que merece reflexão, pois há quem considere mesmo a hipótese de que tenha chegado o momento do fim da Arte.
Partindo de uma definição conceitual de arte e de sua relação com a sociedade podemos compreender melhor a questão. Conforme costumam afirmar os antropólogos, tal articulação seria mais facilmente observável em sociedades primitivas. Os povos ditos primitivos, aqueles sem escrita e cuja história não está registrada em livros, possuem também a sua arte. Seus desenhos, pinturas, esculturas, estão geralmente ligados a aspectos de sua vida social, tais como a religião, a magia, a política ou a guerra. Os objetos são produzidos por um indivíduo a fim de que sejam empregados em algum dos rituais da vida prática.
O fato de que os objetos de arte primitiva possam ser usados para finalidades específicas não significa que sejam feitos com menor cuidado, esmero artístico e criatividade individual. A particularidade da arte primitiva residiria na sua ligação mais imediata com o universo cultural em que foi produzida. A obra de arte seria criada empregando os materiais disponíveis. Possuiria um tema representativo para o grupo social a que diz respeito e seria ainda imbuída de um conteúdo de significação cultural, capaz de expressar uma mensagem que diga respeito ao grupo como um todo.
O significado da arte primitiva só pode ser compreendido se for conhecido um pouco do universo cultural do grupo social em que ela foi produzida. É preciso compartilhar, ainda que marginalmente, dos seus significados culturais. A relação de representação entre a obra e os significados culturais que ela incorpora será assim uma relação mais direta, e mais rapidamente apreendida.
No caso das sociedades complexas, constituída por muitos sub-grupos sociais e uma maior diversidade de conteúdos culturais, complica-se o resgate das funções da arte conforme foram atribuídas à arte primitiva, e dos conteúdos culturais que nos permitiriam contextualizar seu significado.
Assim como nas sociedades primitivas, também nas sociedades complexas a compreensão da arte depende do conhecimento do contexto cultural em que foi produzida a obra. Esse processo aparentemente banal de resgate do conteúdo cultural para a atribuição de sentido ao objeto artístico é o que mascara e confunde a apreensão da arte nos dias de hoje. Já não somos capazes de compartilhar de todos os valores e significações culturais que estão presentes em nossa complexa e diversificada sociedade. Surpreendendo-nos com nossa própria incapacidade de extrair sentido da arte produzida nessa sociedade, julgamos que ela simplesmente perdeu o sentido, ou pior ainda, que jamais teve algum significado. Ficamos incomunicáveis diante da arte produzida em nossa sociedade. Diante disso, surge a hipótese de que talvez seja mesmo o fim da arte.
É preciso levar em conta que com a complexificação da sociedade, as formas dela se representar através da arte foram se sofisticando, numa relação cada vez mais mediada e indireta com a vida social. Podemos dizer que a arte, assim como a sociedade que a produz, está em constante transformação. Ela é viva e passa pelo processo de ser recriada ou reinventada, sempre buscando formas mais elaboradas de expressão. É provável que a arte jamais volte a ser como foi no passado, e o “fim da arte” signifique apenas que no futuro ela não será como a vemos hoje.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Patrimônio Cultural no Brasil

Travessa dos Venezianos, Porto Alegre








A Travessa dos Venezianos

Composta por 15 casas consideradas como referência histórica, a Travessa dos Venezianos, em Porto Alegre, foi tombada no começo dos anos 80. Passados vinte anos do tombamento, fui até lá pra saber o que tinha sido feito daquele lugar, e como estavam vivendo aquelas pessoas.




Dona Dolores era uma das moradoras da Travessa dos Venezianos.

O resultado dessa pesquisa está disponível, na íntegra, na Biblioteca do IFCSH da UFRGS e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRGS.
Recebeu Menção Honrosa no Concurso de Teses do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do IPHAN, Ministério da Cultura do Brasil no ao de 2004.

Artigo sobre o tema pode ser encontrado aqui.

English version, here.