Diversidade Cultural. Cidadania. Cultura Popular. Semiótica e Interpretação.
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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bordado e narrativa

O bordado de inspiração indígena de Durvalina Moura é uma tradução da sua trajetória de vida. Ela procura, por meio da sua "arte de agulha e linha", reproduzir o percurso migratório que andou até sua chegada em Brasília. A artesã faz parte do grupo que produz para a ONG APOENA, da designer Katia Ferreira.



Os elementos que ela selecionou para bordar procuram mostrar detalhes significativos que fazem parte do seu modo de ver o mundo, e que compõem o seu universo cultural. A imagem do índio genérico no topo do bordado é particularmente interessante, revelando uma maneira própria de representar pertencimento identitário que remete a figura indígena comumente encontrada em livros infantis. Ou seja, uma imagem que é exterior ao universo indígena em si mesmo. Um olhar de fora sobre o indígena, estereotipado e até mesmo romântico. Encontra-se no mesmo campo semântico a OCA indígena e o contato com a natureza, representado pelas plantas e animais.

O bordado narrativa tornou-se uma tendência nesse campo, centrando-se nas histórias de vida das artesãs, sendo também uma forma de elaborar as vivências que marcam cada uma delas.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Berlim Fashion Week 2011

metropole-da-moda-verde-e-do-design-sustentavel

Mercedes Benz Berlin Fashion Week

Recebi um convite para assistir aos desfiles da Semana de Moda de Berlim, no Umspannwerk Kreuzberg. Grande evento, se espalhava pela cidade, entre mostrar de moda e feiras de produtos e negócios. Visitei cada um deles para conhecer um pouco desse universo dos big-events da moda.

Aqui vão algumas fotos do evento, que teve a participação de Alisar, a modelo vencedora da versão mais recente do concurso nacional German Next Top Model.














Esse foi o texto que enviei ao Brasil comentando sobre o evento:

Berlim: metrópole da moda verde e do design sustentável


Berlim: metrópole da moda verde e do design sustentável


A brasileira Aline Sapiezinskas é Doutora em Antropologia pela Universidade de Brasília e atua como Consultora Independente para Políticas Públicas. Ela está na Alemanha participando da Berlim Fashion Week 2011, onde está acontecendo uma iniciativa muito bacana, a ECO-Fashion.
Aline nos enviou um texto contando como está sendo esta experiência. Confira:
Capital da Alemanha unificada, a cidade de Berlim é referida tradicionalmente entre os próprios alemães como sendo uma metrópole “pobre, mas sexy”. Tal qualificação, atribuída a Marlene Dietrich, figura como lugar comum no repertório popular e faz parte do imaginário que constitui a identidade ou o modo de ser do Berlinense.
O significado por trás de “pobre, mas sexy” pode ser entendido dentro do contexto alemão. Em comparação à Munique ou Frankfurt, Berlim pode ser considerada uma cidade pobre, com uma arquitetura mais austera e funcional. A história da Alemanha e a divisão de Berlim reforçaram essa imagem. Quando a cidade foi dividida pelo muro, a parte oriental dispunha de menos recursos para infraestrutura e foi marcada pela arquitetura socialista. O fato de as indústrias se concentrarem mais ao sul do país, porém, resultou num fluxo de recursos financeiros relativamente reduzido mesmo após a reunificação.
Mas, Berlim ferve na sua multiculturalidade. Com forte cultura alternativa, oferece atrações ricas e variadas e vida noturna movimentada. Não por acaso, atua na cena noturna berlinense o DJ que foi considerado o melhor do mundo no ano passado, por exemplo. Por isso tudo, o rotulo de sexy não é despropositado.
Entretanto, esse modo tradicional e popular de enxergar Berlim vem sendo desafiado por uma nova tendência que se impõe e ganha terreno entre os berlinenses: a moda verde.
A cidade de Berlim tornou-se o centro da moda ecológica e do design sustentável. Com todo o seu background histórico, Berlim se renova e reinventa a si mesma, posicionando-se no contexto europeu como o local da vanguarda verde.
Isso se evidencia com força total em grandes eventos, como a Berlim Fashion Week 2011, que acontece até 23 de janeiro. Patrocinada pela Mercedes-Benz, a mostra  apresenta nomes conhecidos do design alemão. Mas o grande destaque é a ECO-Fashion, uma mostra que reúne as marcas de “etiqueta-verde”. Segundo os organizadores do evento, “essa mostra é uma prova de que a moda ecológica está na vanguarda em todos os sentidos”.
São apresentados em média 12 desfiles por dia, numa passarela ecológica e socialmente engajada, que é considerada a Vanguarda Verde.  Os tecidos utilizados nas confecções dos trajes são, na grande maioria, de origem orgânica, vegetal, sem materiais sintéticos ou artificiais.
A ECO-Fashion não se restringe à alta costura, mas, implica na adoção de todo um estilo de vida, que inclui balinhas feitas sem gelatina animal, refrigerantes orgânicos, fabricados sem adição de açúcar ou corantes artificiais, linhas de cosméticos e objetos de decoração.
Um  número crescente de consumidores berlinenses demonstra preferência por produtos alternativos, fabricados de forma ecológica e socialmente responsável.
A moda, já faz um bom tempo, não se refere apenas àquilo que se usa para cobrir o corpo. Implica em escolhas por um estilo de vida, uma forma de viver e de se colocar no mundo, que se orienta, antes de tudo, por um modo de pensar o mundo em que vivemos. Nós somos, em última analise, aquilo que pensamos e isso define todo o resto: o que vestimos e até mesmo o que comemos.
A consciência ecológica é a tônica do evento, que está ocorrendo paralelamente em diferentes locais de Berlim.









quinta-feira, 12 de junho de 2008

Arte intertextual ou intersemiótica

Intertextualidade Semiótica




Esse quadro me fez pensar sobre as possiveis leituras de obras de arte e tambem sobre a intertextualidade presente naquilo que produzimos.

Trata-se da obra de um pintor indígena, e se encontra no museu antropológico de Berlim.

As referencias que ele suscita, por sua vez, sao totalmente globais e amplamente reconhecidas no campo das artes consagradas.

O autor brinca com quadros famosos e inclui a todos numa sala de jantar indigena, onde sao visitados por turistas.

Impossivel deixar de notar a quantidade de souvenirs e como o consumo das culturas passa pelo consumo dos objetos de viagem.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O Fim da Arte nas Sociedades Complexas




Em todos os momentos ao longo de sua história, o homem produz arte, seja como meio de expressão, seja como uma tentativa de dar sentido ao mundo. Ainda que seja apenas com o objetivo de lidar com conflitos pessoais, o homem costuma encontrar na arte uma forma de experiência, de vivenciar o cotidiano.
Podemos nos perguntar se, à medida em que avança o capitalismo e surgem tecnologias cada vez mais sofisticadas para a solução dos problemas do cotidiano, estaríamos vivendo um momento histórico em que todas as formas de representação já se encontrariam esgotadas e simplesmente já não há mais função a ser desempenhada pela arte? Estaríamos vivenciando uma mudança tão profunda nas relações econômicas e sociais que disso resultaria ausência de espaço destinado à arte?
O lugar da arte nas sociedades complexas de capitalismo tardio é um tema que merece reflexão, pois há quem considere mesmo a hipótese de que tenha chegado o momento do fim da Arte.
Partindo de uma definição conceitual de arte e de sua relação com a sociedade podemos compreender melhor a questão. Conforme costumam afirmar os antropólogos, tal articulação seria mais facilmente observável em sociedades primitivas. Os povos ditos primitivos, aqueles sem escrita e cuja história não está registrada em livros, possuem também a sua arte. Seus desenhos, pinturas, esculturas, estão geralmente ligados a aspectos de sua vida social, tais como a religião, a magia, a política ou a guerra. Os objetos são produzidos por um indivíduo a fim de que sejam empregados em algum dos rituais da vida prática.
O fato de que os objetos de arte primitiva possam ser usados para finalidades específicas não significa que sejam feitos com menor cuidado, esmero artístico e criatividade individual. A particularidade da arte primitiva residiria na sua ligação mais imediata com o universo cultural em que foi produzida. A obra de arte seria criada empregando os materiais disponíveis. Possuiria um tema representativo para o grupo social a que diz respeito e seria ainda imbuída de um conteúdo de significação cultural, capaz de expressar uma mensagem que diga respeito ao grupo como um todo.
O significado da arte primitiva só pode ser compreendido se for conhecido um pouco do universo cultural do grupo social em que ela foi produzida. É preciso compartilhar, ainda que marginalmente, dos seus significados culturais. A relação de representação entre a obra e os significados culturais que ela incorpora será assim uma relação mais direta, e mais rapidamente apreendida.
No caso das sociedades complexas, constituída por muitos sub-grupos sociais e uma maior diversidade de conteúdos culturais, complica-se o resgate das funções da arte conforme foram atribuídas à arte primitiva, e dos conteúdos culturais que nos permitiriam contextualizar seu significado.
Assim como nas sociedades primitivas, também nas sociedades complexas a compreensão da arte depende do conhecimento do contexto cultural em que foi produzida a obra. Esse processo aparentemente banal de resgate do conteúdo cultural para a atribuição de sentido ao objeto artístico é o que mascara e confunde a apreensão da arte nos dias de hoje. Já não somos capazes de compartilhar de todos os valores e significações culturais que estão presentes em nossa complexa e diversificada sociedade. Surpreendendo-nos com nossa própria incapacidade de extrair sentido da arte produzida nessa sociedade, julgamos que ela simplesmente perdeu o sentido, ou pior ainda, que jamais teve algum significado. Ficamos incomunicáveis diante da arte produzida em nossa sociedade. Diante disso, surge a hipótese de que talvez seja mesmo o fim da arte.
É preciso levar em conta que com a complexificação da sociedade, as formas dela se representar através da arte foram se sofisticando, numa relação cada vez mais mediada e indireta com a vida social. Podemos dizer que a arte, assim como a sociedade que a produz, está em constante transformação. Ela é viva e passa pelo processo de ser recriada ou reinventada, sempre buscando formas mais elaboradas de expressão. É provável que a arte jamais volte a ser como foi no passado, e o “fim da arte” signifique apenas que no futuro ela não será como a vemos hoje.