Diversidade Cultural. Cidadania. Cultura Popular. Semiótica e Interpretação.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Estrangeiros e conectados - processos de interação social

As antenas parabólicas penduradas nas janelas em Berlin estão associadas aos estrangeiros. Elas fazem parte da luta e dos dilemas da integração sem assimilação cultural. São objeto e emblema da resistência cultural de grupos que aqui vivem há gerações, e que aqui encontraram refúgio contra as mazelas da guerra e destruição de sua terra de origem.




Associadas aos Arabes e Turcos, as antenas parabólicas são um elo de ligação entre essas pessoas que tentam refazer suas vidas e reconstruir identidades na Alemanha, e seu local de origem mais remoto, onde deixaram parentes e familiares, e para onde são re-encaminhados diariamente, a cada vez que são apontados como ESTRANGEIROS.

Na medida em que se conhece um pouco mais da dinâmica social nessa cidade, percebe-se que essa categoria "estrangeiro" é um das mais complexas que se pode encontrar. Complexa especialmente porque não se trata dos inúmeros turistas que visitam a cidade e tampouco de habitantes temporários, recém chegados ou de passagem. Complexa porque na maioria das vezes inclui pessoas que nasceram aqui, que não conhecem outra pátria e outro modo de vida. Ainda assim, são remetidos a buscar identificação em outros lugares, entre outras pessoas.  A antena parabólica desempenha um papel de ligação com uma identidade ancestral que eles buscam vivenciar, já que a identificação como alemão lhes é negada numa base diária. Daí o papel central da televisão, via antena parabólica, na construção da identidade subjetiva.

Nos processos de interação social a identidade do sujeito pode ser reificada ou mesmo reinventada, na busca pela construção de sentido e no desejo de dar coerência ao vivido. Em muitos casos, o sentido construído inclui também as imagens obtidas na televisão estrangeira, ou seria na televisão nacional dos estrangeiros? Quem souber, responda!



quinta-feira, 24 de março de 2011

Adeus a Knut

Faleceu no último sábado o famoso urso polar Knut, que vivia no Zoo de Berlin. Ele adquiriu fama pela polêmica que se criou quanto ao seu destino, depois de ter sido rejeitado pela mamãe ursa, há quatro anos. Na época, muitos alemães eram favoráveis a idéia de que o animal deveria ser sacrificado, ja que seria isso o que aconteceria se ele estivesse livre, na natureza. Por fim decidiu-se que o seu tratador na época cuidaria dele. Foi alimentado com mamadeiras, como um bebê. Depois passou por um processo de adaptação ao ambiente do Zoo, para poder conviver com os outros ursos polares do local. O tratador que cuidou de Knut faleceu no ano passado. Durante essa semana foram realizadas investigações sobre as possíveis causas da morte precoce do animal, cuja espécie tem uma expectativa de vida em torno de 35 anos. Foi detectado que havia um problema cerebral, mas as investigações continuam. A questão que ficamos nos perguntando é: será que a mamãe ursa já sabia disso?
As fotos mostram as homenagens de despedida ao urso polar Knut.



Comenta-se por aqui que em breve o famoso ursinho Knut poderá ser visitado no Museu de História Natural de Berlim. Especialistas agora estão trabalhando nisso, o que poderá garantir a continuidade da receita que vinha sendo obtida com a venda de produtos com sua imagem. Isso talvez represente um alento para os seus milhares de fãs.

Clic Solidariedade

sexta-feira, 18 de março de 2011

Orissa revela grande riqueza cultural da India

Orissa é uma região da India que possui inúmeras belezas naturais. Além disso, o estado é conhecido pelos tradicionais trabalhos em artesanato feito á mão. As peças produzidas naquele local tem características próprias e um modo de fazer que não é encontrado em outros locais da India.







  Em Orissa também pode ser encontrado um grande número de monumentos religiosos tombados como Patrimônio Histórico Cultural. São templos Hindus, Janistas e Budistas, em sua maioria.



Como sugestão de leitura antropológica sobre a India recomendo:

CHATERJEE, Partha. "Our Modernity". SEPHIS-CODESRIA publication #1, 1997.

  "Our Modernity"

DAS, Veena. Critical Events. An Anthropological Perspective on Contemporary India. Delhi: Oxford, 1995.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Marooush

Restaurante de especialidades Árabes e Egípcias em Berlin.  Marooush

Não se trata apenas da comida árabe, mas de uma experiência completa que apela aos cinco sentidos. O ambiente lounge com as luzes reduzidas sugere descontração. A música árabe no ar, misturada aos aromas do narguile pode te transportar para bem longe da cidade, apelando ao imaginário das Mil e Uma Noites. Os drinks variados não contém alcool, como seria de se supor, sendo alguns deles até bem doces.  Em suma, uma experiência intercultural.






quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Museu da Arte Popular de NY

Em visita ao Museu da Arte Popular de Nova Iorque me deparei com uma colcha de retalhos num modelo muito parecido com aquelas que são feitas no Brasil, pelas artesãs das comunidades com quem trabalhei em Brasília.

De modo semelhante ao trabalho das artesãs brasileiras, a colcha que estava exposta no museu também continha uma narrativa sobre a vida do artesão que a confeccionou. Composta em patchwork, a colcha fala do universo do artesão em cada detalhe, como por exemplo nas plantas cultivadas, espécies locais, os animais e o modo de trabalhar a terra.  Não havia questionamento sobre a condição de arte do objeto.


Observe na foto:


e compare com a brasileira:



O bordado de Brasília aborda temas semelhantes, mas é feito num estilo próprio, sem as molduras do patchwork ou o formato Quilt das colchas de herança cultural inglesa. As cenas elaboradas para a narrativa são separadas pelos caminhos da própria estrada, que é a estrada da vida.

A imagem da estrada é sempre recorrente nos bordados de Brasília, devido ao próprio fato de se tratar de uma cidade que abriga migrantes, oriundos de diversas regiões do Brasil. O elemento de desterritorializacnao e mudança os une. O trabalho manual contribui no processo de reinvenção de si mesmo na adaptação a nova realidade e ao novo contexto social. A narrativa é a própria elaboração subjetiva de uma história pessoal, que se repete, com diferente e variada riqueza de detalhes, nas Marias, Terezas, Irenes, Ivonetes, Jovencas, e tantas mulheres de coragem.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Margaret Mead: Hall of the Pacific Peoples





Margaret Mead organizou essa sala, no Museu de Ciências Naturais de Nova Iorque, dividindo-a em 6 seções que refletiam a sua visão das principais regiões culturais na vasta area do Pacífico. As seções incluem os Povos da Australia, Indonesia, das Filipinas, Melanésia, Micronesia e Polinésia. Esse ambiente geograficamente e ecologicamente diverso contribuiu para a diversidade cultural dos Povos do Pacífico. 






Suas obras mais conhecidas são "Adolescência, sexo e cultura em Samoa" (1928) e "Sexo e temperamento em três sociedades primitivas" (1935). A antropóloga lança uma reflexão sobre a relação entre sexo e temperamento, ao formular perguntas como: em que grau o temperamento está biologicamente determinado pelo sexo?. Eram os homens inevitavelmente agressivos? Eram as mulheres inevitavelmente caseiras? Ela esperava ver se havia factores culturais ou sociais que afectassem o temperamento. 

As três culturas com que conviveu na Nova Guiné permitiram encontrar cada uma das variáveis que associamos como masculinas ou femininas em uma configuração diferente daquela encontrada na sociedade norte-americana. Mesmo para a antropóloga esse fato foi surpreendente e conduz ao questionamento das categorias que empregamos na classificação de gênero, ou seja, aquilo que entendemos como possuindo característica masculinas ou femininas.